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E se os espanhóis celebrassem a invasão de Ceuta?



 E se os espanhóis celebrassem a invasão de Ceuta?

 

Faz este este mês e este ano, (21 de agosto de 2015) 600 anos que Portugal invadiu Ceuta. A razão, explicou José Hermano Saraiva, é que aparentemente D. João I queria fazer uma festa para armar cavaleiros os seu filhos,  D. Duarte, D. Pedro e o Infante D. Henrique, mas estes não acharam a festa boa ideia e sugeriram então invadir Ceuta.
 
Registe-se que Ceuta era à altura um porto franco, tanto que quando os portugueses lá chegaram, não havia um único homem armado e as portas da cidade estavam abertas (franqueadas). Sendo Ceuta uma zona franca, não passava pela cabeça de ninguém que pudessem ser invadidos. O espanto da população foi total, como testemunhou Fernão Lopes.
 
Mas o pior estava para acontecer. Os portugueses não se limitaram a invadir uma cidade desmilitarizada e um porto franco. Desembarcaram e chacinaram os civis que foram encontrando nas ruas, calculando-se, segundo Fernão Lopes, num texto atribuído a Zurara, que tenham sido assassinados "mais de 2000 mouros".
 
Quem gostar de pormenores macabros, poderá ler a crónica da tomada de Ceuta ("Cronica del Rei D. Joam I de boa memória, terceira parte em que se contam a Tomada de Ceuta" Lisboa, 1644), onde abundam os detalhes das atrocidades feitas aos civis indefesos, como o corte dos membros, ruas cheias de cadáveres e a escorrer sangue e especiarias. Ficará também a saber como são valentes os portugueses ao saquear casas de mouros, matando mulheres e crianças.
 
Regressando ao presente, José Rodrigues dos Santos foi a Ceuta hoje, perguntar a quem passava na rua (onde os portugueses assassinaram os civis), se sabiam que dia era hoje. Ao que todos lhe responderam ser sexta-feira.
 
Não contente com isso, ainda confrontou o governador de Ceuta com a pertinente questão de a Cidade não ter organizado qualquer comemoração do acontecimento, a que educadamente o responsável político respondeu que não há dinheiro para festas. 
 
De José Rodrigues dos Santos, que é conhecido por ser jornalista no Canal 1 e também ter escrito livros, não se esperaria, penso eu, uma pergunta tão despropositada. Mas "todos temos momentos maus na vida; é pena é que não seja a dormir" como dizia o antigo ministro das Finanças Miguel Cadilhe.
 
luís lemos


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Fonte:    2015-08-21