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Uma outra face de Vasco da Gama



Uma outra face de Vasco da Gama
 
O Professor José Hermano Saraiva, contou na televisão, num dos seus programas, que Vasco da Gama, numa determinada circunstância, terá chacinado um barco inteiro de mouros. 
 
Sendo que o referido professor foi advogado, não creio que utilizasse as palavras ao acaso; disse "chacina". Caso contrário, teria dito, "no resultado de uma refrega, disputa ou luta".
 
Aliás, percebe-se que não teria sido o caso, porque a "bondade" do Vasco da Gama, levou a que não tivessem matado 80 crianças, que puderam assim ser retiradas aos pais e ver estes morrerem às mãos dos portugueses, e então depois serem devidamente educadas na fé cristã.
 
De resto, o também historiador fez uma ressalva, que a consciência social de hoje não é a mesma da época, que hoje nem as crianças são poupadas, etc. etc.
 
Caro professor José Hermano Saraiva; não o sabia um daqueles que justifica um mal com outro, mas adiante.
 
Pouco me interessa se o descobridor do caminho marítimo para a Índia, roubou, violentou, queimou e chacinou. Sobre a natureza humana, já conheço o suficiente para que esses episódios pouco prendam a minha atenção.
 
O que me prende a atenção é a hipocrisia extrema. Quando é ligeira, eu até aceito, faz parte da vida social, da política, da publicidade e dos negócios. Mas levada ao extremo, de quem se diz motivado para praticar a crueldade em nome de Jesus Cristo, já me parece inaceitável. 
 
Eu não sei sequer se Cristo existiu e quanto à insustentável evocação, também pouco interesse tenho. Mas o que sei é que a figura de Cristo é apresentada como a de um piedoso que dá a outra face, quando agredido. E que também teria pregado que é mais difícil um camelo entrar no buraco de uma agulha do que um rico no reino dos céus.
 
O que se sabe à saciedade é que Vasco da Gama, em resultado da viagem ficou riquíssimo (esqueceu os ensinamentos de Cristo). Lembrou-se deles apenas quando lhe deu jeito assassinar os mouros e expor as crianças ao espectáculo.
 
Nada disto retira o eventual mérito dos seus feitos, e todos os povos precisam de heróis para dar o nome a centros comerciais, pontes e ruas. Mas se Vasco da Gama queria enriquecer e praticar a crueldade, bem que o poderia ter feito em seu nome e evitar a hipocrisia levada ao extremo.
 
luís lemos

 



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Fonte:    2015-08-10