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Perseguir quem trabalha é preciso



Na incessante perseguição a quem trabalha para sacar o máximo possível, para sustentar aqueles que vivem à custa destes, ficámos a saber que há grandes progressos (a favor da malandragem).
 
Um exemplo; um simpático agricultor que crie 3 patos lá no seu quintal na aldeia das Patas Brancas tem que cumprir tantos requisitos e obter tantas licenças que é impossível transcrever aqui.
 
Para criar um casal de patos é necessário ter espaço adequado à melhor qualidade de vida dos bichos, que a comida esteja certificada, que o ar esteja purificado, que haja um funcionário a limpar de hora a hora as instalações, que um veterinário visite os patos todas as terças-feiras, que a pata seja séria e honesta (e não uma filha de uma pata qualquer que stresse o pato) e por aí fora, a lista é interminável.
 
E depois, quando chegar a altura de levar o pato para o mercado ou para o talho, é necessário que o “empresário” tenha uma computador com 7 cpus e ligação de 500 MB à internet para obter uma guia de transporte electrónica, que é concedida na hora, por aqueles senhores que refastelados nas cadeiras dos ministérios, levaram o país à falência e o povo à fome e ao desespero (5 pessoas por dia suicidam-se em Portugal e somos apenas 10 milhões, menos almas do que a cidade de São Paulo).
 
Sim, nós sabemos. Nós que trabalhamos somos uns reles populistas, pessoas pouco ponderadas. Os senhores que vivem tranquilamente à custa do trabalho, da exploração dos outros e ainda por cima rebentaram com o país, os senhores sim, são pessoas ponderadas. E habilitadas a insultar-nos de populistas e radicais.
 
Tudo em nome da segurança alimentar; e aqueles que inventam estas trapalhices, vão ao fim do dia jantar uma mariscada com marisco criado no lodo de viveiros asiáticos. É a vida, como diria um nosso antigo primeiro-ministro.
 
P.C.
 


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Fonte:    2013-04-04