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Artigos » Cinema
Ensaio sobre a cegueira: O Filme
Dia comum numa grande cidade, pessoas comuns. De repente, num semáforo um homem fica cego, uma cegueira branca que o paralisa. Como viver sem ver? Em seguida milhares de pessoas vão precisar responder a essa pergunta, vivendo as mesmas angústias. Entregues ao caos. Todos os que tiveram contato com esse homem (Yusuke Iseya) perderam a visão.Todos menos a mulher do médico que o atendeu (Julianna Moore, numa interpretação magistral). Aos poucos ela vai percebendo que olhar não significa necessariamente ver.
O filme extraído do livro homônimo de José Saramago, um dos maiores escritores de todos os tempos, é denso, apocalíptico, inquietante, cruel, porém romântico em suas viagens estéticas. Mostra um retrato cruel da humanidade, que revela seus instintos em situações limite. Quem sou eu, realmente? Agente se pergunta. O personagem de Juliana Moore vê o que ninguém admite: somos todos cegos, abandonados à própria sorte num regime de confinamento, numa luta inútil pela sobrevivência, onde o outro e suas necessidades é um mero detalhe.
Já que não há Deus, nem justiça, nem leis, todos podem fazer de tudo sem medo do julgamento dos seus pares ou das coerções sociais.Como dizia Voltaire: ”Se não há Deus, tudo é permitido. ”Por mostrar tudo isso cruamente, o diretor Fernando Meirelles foi hostilizado em Cannes e resolveu modificar um pouco o filme,onde mesmo diminuindo as cenas de crueldade, a gente ofega o tempo inteiro.
Há cenas magníficas, como quando todas as mulheres lavam quase sacramentalmente, num ritual, o corpo de uma companheira, para prestar um tributo à sua coragem; ou o cãozinho que ao contrario dos outros, não devora o corpo de um rapaz, dilacerando suas entranhas, mas vem lamber o rosto de Julianna Moore, que desanimada e no seu limite se havia sentado numa escadaria da praça. Ao assistir ao filme, Saramago chorou. Classificou-o de “brilhante”. Que prémio maior o diretor Fernando Meirelles poderia desejar?
(Publicado por Tainá Barros em jornallivre.com.br)
Já que não há Deus, nem justiça, nem leis, todos podem fazer de tudo sem medo do julgamento dos seus pares ou das coerções sociais.Como dizia Voltaire: ”Se não há Deus, tudo é permitido. ”Por mostrar tudo isso cruamente, o diretor Fernando Meirelles foi hostilizado em Cannes e resolveu modificar um pouco o filme,onde mesmo diminuindo as cenas de crueldade, a gente ofega o tempo inteiro.
Há cenas magníficas, como quando todas as mulheres lavam quase sacramentalmente, num ritual, o corpo de uma companheira, para prestar um tributo à sua coragem; ou o cãozinho que ao contrario dos outros, não devora o corpo de um rapaz, dilacerando suas entranhas, mas vem lamber o rosto de Julianna Moore, que desanimada e no seu limite se havia sentado numa escadaria da praça. Ao assistir ao filme, Saramago chorou. Classificou-o de “brilhante”. Que prémio maior o diretor Fernando Meirelles poderia desejar?
(Publicado por Tainá Barros em jornallivre.com.br)
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Fonte: Jornal Livre 2010-04-25


