Algumas notas sobre a história da freguesia da Terra Chã



Bookmark and Share


"TERRA CHÃ" SIGNIFICA TERRA BAIXA.

 A origem do nome 'Terra Chã' provém da atribuição dada ao local pelos primeiros povoadores da Ilha que o consideraram baixo em dois aspectos, baixo no clima e baixo no terreno porque se situava numa encosta da Serra do Charcão.

Dois acontecimentos históricos estão na origem dos nomes de dois locais da freguesia: Lugar das Casas Queimadas e Lugar das Guerrilhas. O primeiro provém do incêndio lançado a uma casa de moradia situada numa quinta no Caminho dos Regatos, então pertencente a André Machado Lemos, que ali vivia com a sua família.

Era o ano de 1828. Os miguelistas lutavam contra os constitucionalistas, apoiantes do Duque de Bragança. Ao dirigir-se para as Doze Ribeiras um emissário liberal foi atacado por um guerrilha que se apoderou da mensagem que aquele levava, vindo a refugiar-se na casa de André Lemos.

Sabendo do acontecimento os anti-miguelistas, de espírito revoltado e sem apurar culpas, incendiaram aquela casa com todo o recheio e os próprios ocupantes. Mas num rebate de consciência acabaram por salvar a família Machado Lemos. A sua casa ficou então conhecida por "Casa Queimada", e daí o nome ao lugar. 

O segundo lugar está na origem das guerrilhas, que ocorreram na Ilha Terceira, exactamente na Terra Chã, durante a emigração liberal. Foi praticada por miguelistas que semearam  a intranquilidade e a perturbação nas fileiras inimigas.

Ficaram célebres dois guerrilhas naturais da Terra Chã, o "Boi Negro" e o "Rasgado". O Dr. Valadão Júnior chamou à Terra Chã o "alfobre de guerrilhas". Por isso um dos seus lugares tomou o nome de Guerrilhas.

  Antes de ascender a paróquia independente a Terra Chã constituiu um curato da paróquia de S. Pedro em 1674 com sede na Ermida em cujo local hoje se encontra a Igreja Paroquial. A primitiva Ermida foi construída por Sebastião Álvares, abastado negociante angrense e sua consorte Grácia Fernandes, em resultado de promessa votiva que formularam à Virgem de Belém em momento de aflição.

Conta a história que durante a permanência das tropas francesas na Ilha Terceira graves delitos se cometeram em consequência da disciplina que então reinava. Certa noite, um grupo de soldados gauleses saíram armados e tentaram saquear, entre outras, a casa onde vivia Sebastião Álvares, já ancião, com sua mulher, um filho, duas filhas donzelas e três escravos.

Lançaram-se contra portas e janelas tentando arrombá-las e ameaçando os seus ocupantes de incendiarem a casa se não a abrissem. Enchendo-se de coragem e valentia o filho de Sebastião Álvares subiu então ao telhado da casa e atirou sobre os salteadores uma panela de pólvora inflamada. 

Com a surpresa do ataque gerou-se a confusão e o pânico entre os vândalos. Fácil se tornou, pois, a luta para os ocupantes da moradia que se lançaram sobre os salteadores, ferindo uns e matando outros. Por esta família ter escapado a esta Guerrilha, Sebastião Alvares construiu então uma Ermida precisamente no local onde hoje está implantada a Igreja da Terra Chã.

A necessidade de um templo mais espaçoso originou, com efeito, a edificação da Igreja em terreno cedido pelo morgado João Moniz Corte Real, descendente dos fundadores da Ermida primitiva. A Igreja teve o lançamento da sua primeira pedra em 21 de Novembro de 1846 embora só em 1857 viesse a ser aberta ao culto, devido ao ritmo moroso em que os trabalhos decorreram por falta de fundos.




- Talvez se interesse por:

»» Freguesia do Posto Santo



Ver mapa maior

 
Categorias