Escândalo: zanga entre casal
resolvida à hora da missa
Roupas
à porta do padre
Farto de ver a mulher passar mais tempo em
casa do padre do que no próprio lar, Carlos Silva carregou os
haveres da mulher (principalmente roupas) num caixote e despejou-o em
frente à residência paroquial de Argoncilhe, Santa Maria
da Feira. Maria Santos fala em “ciúmes doentios” e diz que agora
é ela quem não o quer mais.
Na origem desta desavença entre o
casal está o padre Resende, de 77 anos, que em Outubro do ano
passado pediu a ambos que cuidassem dele, após uma cirurgia
às varizes. Durante nove meses, Carlos Silva, de 51 anos, e a
mulher Maria Santos, de 49, viveram na casa paroquial, mas a alegada
falta de tempo para os dois começou a afectar a
relação e levou o marido a dizer “basta”.
Carlos Silva voltou para casa, mas a mulher, apesar de ir lá
dormir, continuava a passar o dia com o sacerdote na residência
paroquial. “Por isso, eu não tinha outra solução
que não fosse levar-lhe as coisas dela para lá”, conta. E
escolheu a missa dominical para o fazer, causando surpresa entre os
fiéis que se dirigiam à igreja. O caso passou a ser
comentado em surdina. Alguns vizinhos dão razão a Carlos
Silva, outros não compreendem a reacção.
“Não posso dizer que há ou tenha havido alguma coisa
entre eles, porque nunca vi, mas não podemos continuar a viver
assim”, afirma o marido ao CM, explicando que até o habitual
passeio de domingo deixaram de fazer. A culpa de tudo, diz, é do
padre que, “com a sua psicologia, conseguiu iludir” a mulher.
“Isso é mentira” – garante Maria Santos que depois do que se
passou tem vergonha de sair à rua. “O padre Resende sempre nos
tentou unir”, diz, e acrescenta: “O meu marido só me deu boas
palavras quando esteve preso durante um ano e meio por causa de um
problema relacionado com o vinho do Porto, que foi amplamente
noticiado.”
Segundo Maria Santos, os problemas do casal já têm quase
30 anos, tantos quanto o tempo que estão casados, e acusa o
marido de maus tratos físicos e psicológicos e de ter “um
ciúme doentio”. “É um gostar estúpido e não
é assim que me cativa”, justifica.
Também o padre Resende está agastado com toda a
situação e reitera as palavras de Maria Santos. “Procurei
fazer tudo para que se entendessem, porque se não os tivesse
procurado ajudar o casamento já estava desfeito há
muito”, garante, lembrando que na Páscoa aconselhou o casal a
sair durante uma semana para ver se resolvia os problemas: “Pelos
vistos, não resultou.”
COMPROMISSO QUEBRADO
“O senhor padre é como um pai para mim, tem 77 anos e
está doente. Será que devemos abandonar uma pessoa velha
e doente?”, pergunta Maria Santos. A mulher de Carlos Silva lembra que
foi a ambos que o sacerdote recorreu para que cuidassem dele durante a
recuperação de uma cirurgia e foi igualmente a ambos que
o padre Resende terá pedido que continuassem a residir na casa
paroquial. “Acha que se houvesse aqui algo a esconder, ou de errado, se
tinha chegado a este compromisso, que ele agora quebrou?”
Quanto aos ciúmes doentios do marido, Maria Santos adianta: “Se
tivesse de perder a cabeça tinha-o feito aos 20 anos, poucos
meses depois de casar, quando começaram os problemas entre
nós.”
Por seu turno, o marido garante que era a esposa que lhe dizia “para ir
ao futebol ou ao cinema” com o filho. Desde que voltaram a casa e antes
de se decidir a pôr os pertences da mulher à porta da casa
paroquial, o casal passou a dormir em camas separadas. Apesar de tudo,
Carlos Silva não deseja a separação, porque,
garante ao CM, gosta muito da mulher e acha-a “uma boa esposa”.
PADRES TAMBÉM TÊM VÍCIOS
Filmes como ‘Tentação’ ou ‘O Crime do Padre Amaro’
tocaram numa ferida que a Igreja não gosta de reconhecer. Os
padres, como homens que são, também caem em
tentação, também pecam e têm vícios.
Uma reportagem da revista ‘Sábado’ desta semana aborda
exactamente este tema, recorrendo a casos concretos de sacerdotes que
pecaram contra o celibato, se envolveram em escândalos
públicos ou que sofreram das doenças do alcoolismo ou da
toxicodependência.
Enquanto as situações que envolvem a quebra do celibato
são normalmente toleradas pelos paroquianos (há
vários exemplos disso), já vícios como o dinheiro,
o poder, a corrupção ou os abusos sexuais são
muito sancionados pela comunidade. Entre os casos mais recentes
encontra-se o de um padre de Gondomar acusado de desviar dez mil euros
de um centro de idosos, o de um sacerdote de Anadia suspeito de ter
abusado sexualmente de um rapaz de 18 anos ou o de um sacerdote de
Braga que se afundou em dívidas, por não conseguir
resistir a carros de luxo.
No estrangeiro, foram também conhecidas situações
arrepiantes de sacerdotes que violavam crianças, na
Colômbia, ou envolvidos em redes de pornografia, em Espanha, ou
que cometeram assassinato, no México.
POR AMOR
MONTALEGRE
Em Maio deste ano, um pároco de 28 anos, que dava missas em
várias freguesias de Montalegre, deixou uma carta aos
paroquianos a explicar por que os abandonava. Os populares
afiançam que o padre fugiu com uma mulher para o estrangeiro.
LAMEGO
Aos 40 anos, um antigo padre de Resende fartou-se da vida de celibato e
propôs casamento a uma freira franciscana, que entretanto
conhecera. Abandonaram a Igreja, casaram, tiveram um filho e vivem
felizes.
MELGAÇO
Umas férias com amigos no Algarve fizeram um sacerdote de 32
anos, de Melgaço, apaixonar-se por uma jovem enfermeira.
Acabaram por se casar pelo civil, mas estão impedidos de ver a
união reconhecida pela Igreja.
Francisco Manuel, Aveiro
Julho 2006
fonte: Correio da Manhã