PACTIS & ROCK ‘N’ ROLL - O
espectáculo continua

Lembram-se daquelas
jovens, com vozes fabulosas, muito compostas, vestidas solenemente que
davam pelo nome de PACTIS? Pois elas aí estão de novo em
palco para nos encantar, amanhã, dia 14 e no Sábado, 15
de Julho no Auditório do Ramo, mas a única coisa que
restou da descrição anterior foi mesmo as vozes
fabulosas. Desde os Cats que o PACTIS já não se contenta
só com qualidade musical, mas apresenta também um
autêntico espectáculo com dança,
encenação, cor, luz e movimento. Depois de Cats, e na
mesma linha, embarcaram na aventura de redescobrir os ABBA e agora
chegou a vez do Rock ‘n’ Roll. “PACTIS & ROCK ‘N’ ROCK”, assim se
chama o novo recital/espectáculo deste jovem e talentoso coro
fundado e dirigido pela maestrina Fátima Gonçalves.
Sandra Garcia Bessa
Em declarações à “a União” Fátima
Gonçalves confessa com um brilhozinho nos olhos que até
estavam a pensar “noutro tipo de espectáculo”, e que até
lhes ocorreu algo na linha de “Música no Coração”.
Planos que tiveram de ser alterados pois confessa que “depois dos ABBA
não tivemos coragem de fazer uma coisa tão morta!”
De facto apercebemo-nos bem, pelas palavras de Fátima
Gonçalves e de Filomena Gonçalves – a responsável
pelo projecto - que entre o PACTIS anterior ao Cats e o PACTIS
pós Cats há uma evidente mudança, uma nova
energia, que, de certa forma, impossibilita qualquer retrocesso. O
público não só aceitou como parece gostar ainda
mais deste PACTIS versão espectáculo, com uma “forma de
apresentação mais arrojada”
. Isso mesmo o atesta os êxitos, com casas sempre esgotadas, dos
espectáculos “Cats” e “ABBA”.
Novos desafios,
diferentes registos musicais
O PACTIS pós-Cats aposta na procura de “novos desafios,
diferentes registos musicais e outras formas de expressão
corporal dos elementos do coro”, para tal reuniram uma equipa
multidisciplinar que, conjuntamente com os elementos fixos do coro,
dão, literalmente espectáculo.
Uma nova exigência, feita necessidade que, se torna tudo mais
aliciante por um lado, aumenta, por outro lado, o grau de dificuldade
das tarefas já de si complicadas de Fátima e de Filomena
Gonçalves: “Cada novo desafio passa por uma pesquisa do tema e
contextualização do mesmo, quer nas partituras a
trabalhar, quer nas sonoridades, expressões vocais, estilos e
figurinos.”
Só com a paixão, que de facto sentem, e é
compartilhado por quem com elas trabalha, se consegue ultrapassar as
dificuldades que se colocam a quem não pode fazer da
paixão profissão, arranjando tempo onde este não
existe e condições onde normalmente estas escasseiam.
Mas a paixão venceu mais uma vez, ainda que num timing longe do
ideal: “No Verão as pessoas preferem os espaços ao ar
livre do que as salas de espectáculo, o que se percebe”. Uma
data que se impôs como a única possível de conjugar
esforços entre quem regressa dos estudos e quem trabalha Assim
desta vez a escolha recaiu sobre a música Rock ‘n’ Roll dos anos
50 por ser um tema intemporal que apaixonou e continua a apaixonar
diferentes gerações.
Brilhantina, glamour
e Rock and Roll
Num cenário de garagem e no final de um ensaio de uma banda
Rock, a curiosidade dos jovens leva-os a desvendar entre caixas velhas
e baús esquecidos autênticos tesouros: peças de
vestuário dos anos 50, objectos e acessórios da
época. Tal descoberta funciona com uma viagem no tempo e em
breve os jovens recordam as baladas, ritmos e dança dessa
época de ouro do Rock ‘n’ Roll, que finaliza em ambiente de
festa e de homenagem a este estilo de música, sempre jovem,
sempre novo. Eis o contexto que nos propõe o PACTIS para o seu
novo recital.
Desta forma o espectador é também ele transportado ao
tempo em que um Elvis irreverente e provocador fazia delirar os jovens,
em que o Jive era a dança da moda, e que o look da moda passava
por saias rodadas, soquetes brancas e longos cabelos presos em rabos de
cavalo para elas, e calças de ganga e brilhantina nos cabelos
para eles.
O espectáculo recria o ambiente dos anos 50, com as cores e
comportamentos da época em que “o Rock ‘n’ Roll e a brilhantina
eram o mais importante na vida de qualquer adolescente”. Se as
actuações do PACTIS têm ganho, indiscutivelmente,
com esta nova dimensão do espectáculo, em que a
encenação (Valter Peres), guarda-roupa (Filomena
Gonçalves), coreografia e dança (Valter Peres e Paulo
Borges), a luz e o som (Carlos Rosa e Francisco Medeiros) têm
cada vez um papel mais importante a piéce de résistance
continua a ser, obviamente, a música e as belíssimas
vozes femininas do coro – a estreante Ana Braga, Ana Sofia Andrade,
Carolina Martins, Catarina Simões, Mariana Martins e Helena
Vasconcelos uma das primeiras a integrar o coro e que agora retorna
após a conclusão dos seus estudos - mais uma vez
enriquecidas com intérpretes masculinos convidados para o
evento, desta feita Pedro Mendes e o já pactisiano Renato
Garcia, com os dançarinos Fernando e Francisco Paulino e Ivo
Bettencourt e os músicos Sérgio Pereira, Antero
Ávila, Miguel Azara e Jannen Teixeira. Assim os espectadores
podem contar com temas de sempre como o “Rock around Clock”, “Hound
Dog” ou “Love Me Tender”, com nova orquestração e a magia
das vozes que fazem dos concertos do PACTIS eventos a não
perder.
fonte
A União,
13.07.06
foto: A União