NORTE: Homens de
Galegos fogem às mulheres um dia por ano
"Amigos
da Paródia" cumprem ritual anual sem as mulheres

São amigos da
paródia e gostam tanto do epíteto que fundaram um grupo
excursionista com esse nome, há 48 anos. De
geração em geração, os homens da freguesia
de Galegos, Penafiel, escapam às mulheres um dia por ano. E
mostram que as dispensam nas mais elementares tarefas, como cozinhar
para um regimento. Reúnem um grupo, desaparecem de madrugada
carregados de víveres, tachos e colheres, concertinas e violas.
Acampam longe e em sítio desconhecido para elas. Ali chegados,
celebram missa antes de servirem a chanfana de cabra, confeccionada no
local pelos cozinheiros do grupo.
Os "Amigos da Paródia" foram fundados em 1958. Começou
por ser um grupo excursionista interdito a mulheres,
tradição que ainda se mantém, como dita o
refrão do seu hino "Saímos de madrugada/ não
saímos em segredo/ as mulheres arreliadas/ ficam a chupar no
dedo". Ao longo dos anos, transformaram-se numa
associação recreativa e desportiva, desenvolveram outras
actividades, como o folclore, e há 19 anos, criaram o "passeio
dos veteranos".
"É um passeio especial porque a maneira como organizamos este
convívio permite conhecer locais lindíssimos e reunir,
pelo menos, uma vez no ano, pessoas que abandonaram a freguesia e que
não deixam de ser de Galegos", explicou, ao JN, Jorge Coelho,
responsável pelo grupo.
Cumprindo mais uma vez a tradição, cerca de 80 homens
acamparam no domingo passado em S. Leonardo de Galafura, uma freguesia
do Peso da Régua. Localizado na margem direita do Rio Douro, com
uma altitude de 550 metros, o local deslumbrante perpetua a
memória de Miguel Torga e reúne as
condições exigidas é um sítio alto e tem
uma capela.
Este convívio é peculiar pelas regras impostas a cada
amigo da paródia. Todos vestem a camisola amarela do grupo,
excepto os cozinheiros, que têm farda própria; na
véspera do passeio, cada um tem que descascar, pelo menos, uma
batata, dando, assim, o seu contributo para a confecção
do almoço; e os novos elementos são sujeitos ao
"baptismo" presidido pelo chefe.
Chegados a Galafura, os veteranos de Galegos celebram uma missa em
memória dos amigos falecidos, ou pedindo a
intercepção divina para as melhoras de amigos doentes,
como foi o caso do chefe dos cozinheiros, José Carvalho, retido
no hospital Padre Américo do Vale do Sousa.
A cerimónia litúrgica é presidida pelo
pároco de Galegos, Adrião Monteiro, mas participada por
todos nos vários actos religiosos. A missa é cantada e
rezada sob acordes de violas, acordeão e cavaquinhos. Consolado
o espírito, chega a hora de alimentar o corpo. O homem do clarim
"toca a rancho", cada um perfila-se para o almoço e ao longo da
tarde as mágoas afogam-se no "vira-ó-vira", em cantorias
populares e cântaros de vinho.
A meio da tarde, os "Amigos" distinguem as pessoas que dão um
contributo à promoção do convívio e
procedem ao baptismo dos caloiros que juram fidelidade ao
convívio dos veteranos.
A cerimónia oficial conta sempre com a presença do
pároco, Adrião Monteiro, e do presidente da Câmara
de Penafiel, Alberto Santos, sendo também convidados o
pároco e o presidente da Junta de S. Leonardo de Galafura. De
regresso casa, os veteranos preparam a próxima
edição.
josé
vinha
fonte:
Jornal de Notícias
foto:
fonte http://www.eb1-cruzeiro-galegos.rcts.pt/meio.html