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Fumo do trânsito tem malefícios semelhantes ao do tabaco
 

As substâncias cancerígenas que circulam no ar provenientes do tráfego automóvel, têm efeitos semelhantes aos provocados pelo tabaco, defende um estudo universitário apresentado em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, entidade que financiou o projecto. Este trabalho detectou também os malefícios provocados pelo tabaco, mas a coordenadora do trabalho, Conceição Alvim Ferraz, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), considerou mais preocupante a concentração das substâncias decorrentes do tráfego, já que delas ninguém escapa.

O trânsito no Porto provoca aumentos até 3.500 por cento nas concentrações de substâncias cancerígenas no ar, revela o estudo. "Do tabaco pode-se fugir, mas o trânsito está por todo o lado, pelo a grande mensagem que extraio deste estudo é que é preciso tomar medidas para redução das emissões dos escapes", afirmou a docente e investigadora.

A introdução de portagens à entrada da cidade é uma das medidas possíveis, mas a investigadora prefere que se estimule a utilização dos transportes públicos, melhorando a oferta. "Temos de evitar tantos carros em circulação", disse Conceição Alvim Ferraz, uma especialista em qualidade do ar, que lecciona Engenharia Química na FEUP.

Nenhum país no mundo adoptou ainda legislação para proteger os cidadãos dos malefícios das emissões do tráfego automóvel, apesar de existirem já restrições quanto aos locais onde é permitido fumar, assinala, por seu lado, uma síntese do estudo.

As medições que sustentam o trabalho foram efectuadas ao longo de quatro anos na zona do pólo universitário da Asprela, freguesia de Paranhos, na via pública e em residências de fumadores e não fumadores.

Em alguns casos verificou-se um aumento até 3.500 por cento das substâncias cancerígenas presentes nas partículas inaláveis, "sobretudo nas de menores dimensões, que são as que têm piores efeitos na saúde", refere a síntese do estudo.

Para comparação, foram feitas igualmente medições numa zona de Viana do Castelo dada como não poluída.

Fonte: Ciência Hoje   2009-01-15
 
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