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Praguejar afasta a dor e dá saúde
 
Guardar o ressentimento e a raiva pode ser muito agradável para quem tem a sorte de viver por perto de uma pessoa bem educada, mas provoca úlceras e enfartes, e explica o número astronómico de antidepressivos e ansiolíticos que Portugal continua a consumir.

Solução: seguir os conselhos de um estudo publicado na revista Neuroreport que garante que quando praguejamos suportamos melhor a dor, porque activamos as nossas tácticas de defesa para fazer face ao inimigo. No trabalho falam da dor física, mas tenho a certeza de que se aplica também à psicológica. Por isso vou praguejar com dois «temas» que hoje me puseram os cabelos em pé, até para que o meu sistema imunitário não fique susceptível à gripe.

Verdade seja que não deve ser tão eficaz como dar murros no nariz de algumas pessoas, mas assim também não mete nem esquadras, nem polícia, o que tem vantagens:

1. Li as declarações de um médico, do sexo masculino evidentemente, que defendia que as dores do parto são fundamentais, para que a mãe crie uma ligação forte com o bebé e seja capaz de assumir as suas responsabilidades. Até dói tanto disparate! Desde quando é que a dor física insuportável e prolongada serviu para nos ligar a seja quem for? Ou é para perpetuar o «Parirás com dor», como uma ordem divina, como se Deus quisesse tal coisa. Qualquer mulher que tenha dado à luz com e sem a ajuda de uma epidural, sabe que é exactamente o contrário, e que aqui o único milagre é que a maioria das mães seja capazes de superar o pesadelo de um parto natural, e amar os seus filhos como se nada fosse.

2. A forma como alguns dos militantes do Sim ao aborto, do Sim ao casamento entre homossexuais, do Sim à legalização das drogas, e por aí adiante, olham e discutem com aqueles que não concordam com eles, ou sequer expressam dúvidas. Se pudessem, cortavam a cabeça aos opositores. E aos seus olhos nem seria crime, porque se limitariam a limpar o planeta de trogloditas, uns seres inferiores que ainda não ascenderam à luz. E o pior é que se multiplicam, porque as verdades feitas sempre foram populares. Se a Inquisição de que gostam tanto de falar voltasse de facto, advinhe-se quem seriam os algozes!

Isabel Stilwell | editorial@destak.pt
Fonte: Destak   2009-07-21
 
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